antologia da noite em claro

Tuesday, February 14, 2006

Ao Meio

Parte de mim é o que eu sinto
E outra parte é o que eu faço
A metade melhor é a que eu minto
E a outra metade eu não mostro

É franca a lição da vida que eu estudo
E limpo o meu discurso em sua contradição
Sou do tipo emotivo que se entrega ao mundo
E também um conformado escondido na razão

Sou de um lado, a água da represa estacionada
E de outro, o mar revoltado e o tufão
Tenho em mim, metade da maçã mordida
E também metade da tentação
(Uns dias acordo Serpente
Em outros, acordo Adão)

Posso tanto ser Apolo
Como posso ser Dionísio
Trago mil personagens a tiracolo
E na lapela, um ramo de narcisos

Parte de mim é o que eu sei
E outra parte é o que eu acho

2 Comments:

  • poema quadrado,com preocupação de rima e métrica, mas , incrivelmente, um daqueles que você abre o peito.
    Interessante. To gostando de ver!

    By Blogger Tatiana, at 12:19 PM  

  • E digo que é muito bom essa flexibilidade ente Apolo e Dionísio, embora eu vá mais pelo segundo.

    By Blogger Gabriela Ventura, at 7:42 PM  

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