antologia da noite em claro

Tuesday, February 21, 2006

Hotel Paris

No Hotel Paris comíamos aspargos
E descobri:
Há dança em teus gestos largos
E mímica em teu mutismo
Um quê de teatro em teu choro
E música em teu orgasmo.


Vejo cinema em teu guarda-roupa
E arte abstrata quando meditas
Existe pintura diante do espelho

E escultura no olhar que me fita.

Existe um poema em nosso romance:
Que vive la France! Que vive la France!

E todas as artes coabitam tua carne
(Por todas as partes, por todas as partes)
Há fotografia em tua loucura
E a arquitetura reveste teus pés
Existe um chiste, uma caricatura
Em tua nudez trazes parangolés.

E rolamos na cama, que é o teu palco
E pisamos na grama, futebol e balé
E bebemos perfume, cheiramos o talco
Você de joelhos toca o meu oboé.


Canta Aznavour e ordena que eu dance:
Que vive la France! Que vive la France!

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