antologia da noite em claro

Friday, February 17, 2006

O laranjal

De novo virá o dia,
Com a mesma cara de espanto.
Surpreenderá a cama desfeita,
A casa em desordem, o ar rarefeito.
Só o pó adentrará teu lar.


O sol não terá piedade. De novo
A língua de sal ressequida
Recusará o esforço da palavra.
O que pensas da política?
Recusarias um suborno? Uma esmola?
Negas a vida, queres dormir.

No cerne de teu umbigo, no antro
Buscas a mãe.
Deus não te reconforta. O dinheiro
Escorre pelos dedos: tudo é areia.
Já não sonhas. Estás preso ao pó
Quando aspiras a eternidade.

Tens de aceitar o vício
Sem pudor. O que poderia ser
Torna-se uma caixa de planos adiados:
A queda não finda,
Mas a noite te puxa pelos cabelos
E te possui.

Fora de tua casa, alheio
O sol derrama seu ouro
Sobre o imenso laranjal.

2 Comments:

  • A cada dia fica mais difícil não passar por aqui. Mais necessário espiar pela fresta.
    Olhar sem poder provar. (Sonho vicia.)
    Estou dançando com a vassoura, no meio da sala...

    By Blogger Márcia Nestardo, at 8:40 AM  

  • Oi Bruno,

    adorei esta tb!...

    Posso dar um pitaco? O Word muitas vezes começa com letra maiúscula a cada "Enter"... isso dificulta a compreensão da poesia uma vez que interfere no ritmo e na pontuação. Excelentismo da minha parte... mas acho que as palavras fluem melhor.

    Poetabraço

    Clauky

    By Blogger Clauky Saba, at 9:30 AM  

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