antologia da noite em claro

Saturday, February 11, 2006

Poema das Aspirações

Hoje eu queria ser perfeito como um poema nunca escrito.
Talvez o cristalino grito
Que rasgasse a impureza dos livros
E ecoasse pelos prédios
Fazendo trincar as taças
E umedecer as moças
Com suas pernas cruzadas.
Hoje eu queria ser um nada, cercado de tudo.
Talvez o impenetrável escudo
Que suportasse o impacto da espada
E protegesse meu frágil coração
Da torturante gravata
Do asfixiante botão.
Hoje eu queria ser o peito nu e o vento no cabelo.
Atingir o nirvana com o rosto coberto de espuma
Num velho salão de barbeiro.
Para meus amigos o primeiro gole de cerveja;
Para minhas mulheres, um pouco de tristeza,
Embrulhada para presente.
Hoje eu queria jogar porcos às pérolas
E escrever um poema pornográfico
Que falasse de bucetas e guerrilhas

(mas existe uma tabuleta pedindo silêncio).
Então ficamos assim:
Para os mortos, sacrificarei um bode
E não pretendo limpar os pés no tapete.
Pisar na grama todo mundo pode
Proibido mesmo é chupar sorvete.

2 Comments:

  • Então ficamos assim:
    Eu leio, enquanto teu silêncio faz cosquinha no meu ouvido.

    By Blogger Márcia Nestardo, at 9:05 AM  

  • é.. enquanto quebro a regra sobre o sorvete, vc faz uma guerrilha no coraçao.

    te beijo

    By Blogger Nefertari, at 4:33 AM  

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