Da urgência de matar o homem de bem
Não suporto os bons poetas
Porque são lidos por homens de bem
Desses que amam a família, freqüentam a igreja
E guardam uma arma debaixo do colchão.
Ao se depararem com um bom poeta
Desses que dão entrevistas e viram verbetes
Ou que autografam livros na Bienal e apóiam o político de seu Estado
– pelo simples fato de serem conterrâneos –
Pensem duas vezes ao chamá-lo de poeta.
O poeta é, essencialmente, humano.
Tão humano que não há moeda de sol que o converta
No profissional asséptico e iluminado que esperam que ele seja.
Na calada da noite, no sal da lavoura, na boca do gol
Onde quer que esteja um solitário em busca de alforria
Lá está a poesia. Por isso não a busques nas críticas de jornal
Nem nos senhores de queixo bem barbeado que falam ao celular
Quando avistam de longe um leitor. Estes se incomodam
Com sua ridícula condição de homem público.
Não falam com pobre, não dão mão a preto, não carregam embrulho
Como naquele velho samba que também não cantam
– no máximo o citam nas palestras, por convenção.
Não se deixes levar pela conversa do bom poeta. Porque nenhum poeta
Pode ser bom, ainda que seu poema o seja. Um poeta não é
Um homem de bem. O poeta quer roubar sua mulher e matar o seu cão
E arrastar-lhe pela gravata até o meio da rua
E meter-lhe uma bala na testa
– a única coisa que presta
das que você deixava no colchão.
Porque são lidos por homens de bem
Desses que amam a família, freqüentam a igreja
E guardam uma arma debaixo do colchão.
Ao se depararem com um bom poeta
Desses que dão entrevistas e viram verbetes
Ou que autografam livros na Bienal e apóiam o político de seu Estado
– pelo simples fato de serem conterrâneos –
Pensem duas vezes ao chamá-lo de poeta.
O poeta é, essencialmente, humano.
Tão humano que não há moeda de sol que o converta
No profissional asséptico e iluminado que esperam que ele seja.
Na calada da noite, no sal da lavoura, na boca do gol
Onde quer que esteja um solitário em busca de alforria
Lá está a poesia. Por isso não a busques nas críticas de jornal
Nem nos senhores de queixo bem barbeado que falam ao celular
Quando avistam de longe um leitor. Estes se incomodam
Com sua ridícula condição de homem público.
Não falam com pobre, não dão mão a preto, não carregam embrulho
Como naquele velho samba que também não cantam
– no máximo o citam nas palestras, por convenção.
Não se deixes levar pela conversa do bom poeta. Porque nenhum poeta
Pode ser bom, ainda que seu poema o seja. Um poeta não é
Um homem de bem. O poeta quer roubar sua mulher e matar o seu cão
E arrastar-lhe pela gravata até o meio da rua
E meter-lhe uma bala na testa
– a única coisa que presta
das que você deixava no colchão.

2 Comments:
Puxa...denso. Gostei, Bruno. Aproveito pra te deixar um hai-kai de presente, é de um amigo poeta que chama Edu Rodrigues:
"acordei estranho
só lembrei quem era
depois do banho
de perto
mentira é uma verdade
que não deu certo
se sacode
se alguém fez
você também pode
ouça com calma
é pela voz
que se entra na alma"...
Legal, né? E entra lá no verbo vadio, tb coloquei um poema lá hoje, que eu amo.
beijão e até!
By
Marina Franco, at 9:24 AM
DUCARAIO!!! Bruno, dessa vez vc destruiu, vc coneguiu um ritmo tão bom nesse poema, com rimas tão bem equilibradas, sem contar com o teor central, que é exatamente isso. Como poeta, me identifiquei. Como leitor, deslumbrei. Fantástico. Estou ainda torcendo para te ver encadernadinho nas estandes das livrarias de renome.
Abraço
By
Felipe Tazzo, at 11:20 AM
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